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03/05/2004 16:47
Waldomiro Diniz
- Acompanhei de longe a discussão, mas, pelo que pude observar, trata-se de uma metralhadora jornalística. Embora nada houvesse a acrescentar à reportagem inicial, a imprensa todos os dias metralhava o mesmo assunto, nem que fosse só para tomar opiniões de políticos da oposição. Ninguém provou nada contra Dirceu. Mesmo assim, a imprensa quis queimá-lo. Não entendo isso como um erro de Lula. A medida adequada demissão do Waldomiro foi tomada. O resto seria um exagero, considerando a competência do Chefe da Casa Civil.
Política econômica
- No Brasil, não existe ainda a cultura da democracia. Obras além de governos, políticas a longo prazo, tudo isso está fora dos nossos lugares-comuns. O que Lula está tentando fazer é dar seqüência ao que FHC fez, dando uma melhorada. Baixar os juros na base da caneta seria sucumbir à inflação. Os investimentos podem sair? Podem. Ruim com eles; pior, sem. Já dei o exemplo do futebol aqui: os melhores períodos do futebol brasileiro foram na época do Palmeiras-Parmalat e do Corinthians. Pudemos trazer e manter nossos talentos e formar times bem competitivos. O futebol é apenas mais um reflexo da economia. Para atrair esses investimentos, é preciso estabilidade financeira. Ou ser os EUA, que têm a maior dívida interna do mundo (impagável), mas ninguém fala nada.
Salário Mínimo
- Sim, foi um soco no estômago. O aumento foi o possível, considerando que o Governo está priorizando os que vivem abaixo da linha da pobreza (por isso o aumento maior no Bolsa-Família) em detrimento da classe média. Isso é muito claro e duvido que algum membro do Governo negue. O erro crasso e doído foi a demora, que criou esperança, em anunciar. Foi de uma infelicidade política notória.
Promessas
- Lula vai cumprir o que der e, podem acreditar, vai ser bem melhor que FHC. O Governo anterior era um empilhado de burocratas que fracassou nas políticas sociais, desmontou o setor público, privatizou a preço de banana, etc. Teve alguns acertos, como na área do Serra, no que tange aos genéricos e a defesa internacional da quebra de patentes, por exemplo. Mas, de um modo geral, sinto esse governo mais sólido e bem-intencionado.
- Nenhum político cumpre tudo que promete. Isso é ruim para a democracia? É. Mas, de certa forma, é inerente a qualquer governo representativo: qualquer regime tem políticos que prometem mais que podem fazer. Em POA, o governo é do PT há 16 anos e ainda não cumpriu todas as promessas. Por que se reelege? O povo sabe que outros também não cumpriram, e pelo menos o PT cumpre algumas.
Último comentário
- Não vou assumir o papel de advogado do Governo. Eu também queria uma reforma tributária mais profunda, uma política econômica mais flexível, um salário mínimo de mais de R$ 300,00, um grande número de desapropriações de terras, uma reforma política forte, etc. Mas tenho uma confiança pessoal no Presidente. Sinto que, se ele está lá e não faz, é porque não consegue mesmo. Não sinto um pingo de corrupção nele (talvez eu seja apenas um ingênuo). E qualquer um que não seja um revolucionário do PSTU ou um super-herói Collor de Mello também não conseguiria.
Kill Bill, A Paixão de Cristo e O Retorno do Talentoso Ripley
- Kill Bill é sensacional, mas não acho necessário resenhar. O Tiago, do Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos, o Roger, do Poptopia, e o Luiz, do Blog.Lap, já disseram tudo. Fica registrada a homenagem do Tarantino aos filmes de luta orientais, aos filmes B, aos animes, à filosofia barata, às mulheres gostosas e puro fogo e ao Bruce Lee. Que venha o volume 02! Ah, trilha sonora impecável, como de costume.
- A Paixão de Cristo, ah, sei lá. É um filme sobre tortura. É um filme carola e ortodoxo. Não acrescenta grandes coisas, do ponto de vista filosófico ou teológico. Enfatiza o corpo, mesmo. Sob esse ponto de vista, é inovador. De fato, foram os judeus que provocaram a morte de Cristo, o que não tem nenhuma implicação para os judeus de hoje. Mas que foram, foram. Pilatos, ao contrário do que está no filme, devia ser um romano sádico, como todos, que apenas se divertia com a ignorância do povo dominado. No final das contas, foi um indiferente a tudo aquilo. No filme, ele até parece benevolente. Não existia romano benevolente. Fugia à própria noção de potência deles.
- O Retorno do Talentoso Ripley é bem angustiante. Ripley deixou de ser aquele jovem inseguro e ambíguo para se tornar um frio e pomposo criminoso, quase um Hanibal Lecter, casado e rico. Atuação impressionante de John Malkovich. Os trejeitos de Ripley, afetadíssimos, ficaram muito bem, ainda que, à primeira vista, não combinem com o físico do ator.
O que ando lendo
- Uma abordagem livre e multidisciplinar do filósofo-jurista Ronald Dworkin sobre aborto e eutanásia. Ele tenta provar que são não só juridicamente, mas também moralmente justificáveis os dois. Bela empreitada.
- De Thomas Pynchon, de quem pouco ouvi falar, O Arco-Íris da Gravidade, me pareceu muito interessante. O autor é daqueles reclusos da imprensa.
Derrota lá e aqui: o Grêmio e o Madrid
- Lá, o Madrid praticamente deu adeus ao título da Liga. Perdeu para o La Coruña a agora vai ter que encarar críticas severas à sua política de Zidanes y Pavones. Precisa, no mínimo, de um zagueiro e um volante. Ayala e Emerson seriam boas opções. E mais uns dois ou três para montar um grupo.
- Carlos Bianchi, hoje no Boca Juniors, seria o treinador perfeito para o Real Madrid. Ele é capaz de fazer os jogadores renderem na sua máxima potência. É disso que precisa o Madrid.
- Aqui, o Grêmio tomou quatro. Adílson tenta implantar um modo semi-europeu de jogar, alterando formação e esquema de acordo com a partida. Contra ele, há pelo menos quatro fatores: a) os times europeus normalmente variam os jogadores, o esquema permanece (ex., Milan, La Coruña, Valência, Arsenal); b) o Grêmio não tem grupo equilibrado; c) os jogadores brasileiros não estão acostumados. Aqui forma 11 e deixa assim; d) o time está mostrando rendimento muito superior com 3-5-2. Ele pode variar colocando, por exemplo, George no lugar do Michel, para tornar mais ofensivo; ou um dos dois laterais pernas-de-pau no lugar do Elton, para manter mais defensivo. Pode variar a movimentação do Leânderson. Até entendo o que ele quer, mas aqui, no Brasil, não se aceita.
Campeonato Brasileiro
- Com Ponte Preta na frente e Santos quase na zona do rebaixamento, há pouco a analisar. O fato é que teremos, esse ano, um campeonato mais equilibrado. Se o Alex deixar, é claro.
Discoteca Básica
The Jimmi Hendrix Experience Are you Experienced?.
Guitarra rápida, destemida, pesadaça, fodíssima. Black vocal, escancaradamente blues. Um baixista e um baterista extremamente técnicos e discretos, daqueles tipo John Paul Jones ou Ringo Star. Um power trio que fazia um puta sonzeira, barulhenta e à vontade, deixando a guitarra guiar a música. Que dizer dos riffs que guiam as pauladas Foxy Lady, Purple Haze, Fire ou Stone Free? Sem Hendrix, talvez o rock hoje não pudesse ser tão pesado. Sem ele, não boto minha mão no fogo pela existência de um Led Zeppelin ou White Stripes. O disco ainda traz presentes belíssimos como a sensacional Hey Joe e The Wind Cries Mary. Embora seja de estréia, é recheado de músicas bem arranjadas, experimentais, soladas, pesadas ou leves, mas incrivelmente ousadas. De Jimmy, o guitarrista que está no altar ao lado de Eric Clapton como os deuses da guitarra, você não fala. Você liga o som bem alto e deixa ele arrebentar os vidros ao redor. Ou seus tímpanos.
A propósito:
04 covers absurdamente 'cools' de Jimmi Hendrix:
4. "Angel", Fionna Apple - versão acústica, muita emoção nos vocais, com um piano bala ao fundo;
3. "Little Wing", Skid Row - sim, Skid Row! Tudo bem que a banda era uma b..., mas essa versão, apesar do Sebicha Bicha, digo, Sebastian Bahc, ficou animal...;
2. "Fire", Red Hot Chilli Peppers - a correria do funk metal do RHCP, em pleno "Mother's Milk", caiu otimamente nessa paulada do mestre da guitarra;
1. "Hey Joe", O Rappa - FODÍSSIMA. O Rappa estraçalha nessa música, que combina hip hop e rock, cada um no seu canto, e mostra a letra tudo-a-ver-com-o-Brasil de Hendrix, lá dos anos 60.
Trilha sonora do post: Guns n Roses, Civil War.
enviada por -M-O-X-
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