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24/05/2004 11:25
Madrid, food, coffee, cigarrettes and alcohol
Depois de um post indignado, alguma coisa pretensamente positiva. Comprei "Traçando Madrid", do brilhante Luís Fernando Veríssimo e Joaquim da Fonseca, uma boa recordação dos meus dias naquela cidade. Lembrei-me de caminhar até cansar de manhã, entrar em um restaurante perto do Reina Sofia, pedir um "menu del dia", normalmente uma massa de entrada e um pedaço de cordeiro com fritas, comer até cair, beber um vinho à vontade, discutir com um "camarero" sobre o próximo "partido del Madrid" e acender um cigarrinho com café no final da refeição sem que nenhum anti-tabagista reclame. Uma discussão sobre a partida Real contra Bayern, pela Championsleague, e o garçom insistia que não ia dar Madrid, até que eu entendi: era torcedor do Atlético. Me disse, sem piscar: "soy sufridor". Tomei mais um pouco do vinho, dei umas boas risadas com um gordo engravatado que entrou, de supetão, na discussão, e me mandei. Que fazer, com o estômago cheio daquele jeito? Como todo bom madrileño, la ciesta. Deitei nos belos jardins do Parque Del Retiro, temperatura de mais ou menos 15 graus, mas no sol estava agradabilíssimo. Ao meu lado, duas gurias conversavam em inglês, uma pedindo para a outra ficar na sua casa. Provavelmente, uma inglesa e uma madrileña. Tagarelavam e eu, aquela altura, só podia acender outro cigarro para relaxar, ligar o discman e botar o Gil para lembrar da terrinha. Pulei a primeira, cover do Paralamas, porque não gosto de Paralamas e a versão do Gil, embora tenha ficado boa, me cansou. Mas da segunda para frente é só paz. Por sinal, quando tocou "A Paz", provavelmente, adormeci, deixando o sol bater no meu corpo. Acordei quinze ou vinte minutos depois, as duas ainda tagarelavam, me pediam desculpas por ter me acordado. Eu me ri. "Bem capaz". Ou melhor: "That's ok. It's time to wake up". Rimos. Dei uma caminhada, tirei umas fotos dos numerosos "passeos" do parque, dedicados aos países da América Latina-Espanhola - Argentina, Colômbia, Chile, etc.
Mais uma caminhada para admirar as "Plazas" de Madrid e, após, sento na Plaza Mayor para ler um pouco de Hornby, seu famoso livro sobre o Arsenal, e depois jantar um "bocadillo" de bacon, lombo ou "chorizo" com "una caña" (um copão de cerveja). Saio da Plaza, vou até a Puerta del Sol, o centrão deles, já começa o bolor de um monte de jovens juntados (o tradicional "ayuntamento") bebendo garrafas de litro de cerveja e "charlando". Pegava o metrô e voltava ao Hostal, para ter um sono tranqüilo, ou saía na noite, tomava meia dúzia de whiskys, conversava com algum(a) maluco(a) e depois me mandava. Bons tempos.
Excursus
Está muito claro que o Grêmio tem um time para brigar pelas colocações intermediárias, para desespero da torcida. A instabilidade, derrotas e vitórias descontínuas, é característica dos times que ficam nessas posições. Ontem ganhamos contra o Paysandu, mas alguém aposta contra o São Caetano? Também é ingenuidade achar que o George vai fazer grande diferença. Bruno só joga com outro articulador ao seu lado. Jogou bem ano passado. Por quê? Gilberto.
Excursus II
E Michael Moore levou a Palma de Ouro. Que surpresa. Acho-o um pouco maniqueísta demais, mas tenho que admitir que "Tiros em Columbine" foi espetacular. Eu adorei.
Trilha sonora do post: Matchbox Twenty, "Bent".
enviada por -M-O-X-
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