In The Sky With Diamonds


 



 

 



28/04/2004 11:21
Lula: que fazer?
- Pelo menos uma vez na vida, imaginem-se na cadeira do Presidente da República. Se você aumenta o salário mínimo ou o salário dos funcionários públicos conforme a sua vontade, não terá recursos para pagar, salvo se emitir mais moeda e criar inflação, ou se diminuir o pagamento da dívida pública. Se você cancela a dívida, metade dos investimentos no país, pelo menos, vai embora. Viramos, quem sabe?, Cuba. Se você criar inflação, acaba prejudicando a economia como um todo e especialmente aos mais pobres. De um lado, você tem cidadãos de classe média reivindicando maiores salários; do outro, cidadãos que comem lixo e dormem nas ruas. De um lado, você tem invasores de terras que precisam de lugar para trabalhar, mas não tem dinheiro suficiente para comprar terras para todos; do outro, uma forte pressão ruralista no Congresso e, de modo geral, uma reprovação social em toda relativização da propriedade.
- O que quero dizer é que, seja qual for a medida adotada, gerará protestos. Lula não será capaz de resolver todos os problemas brasileiros. Tampouco qualquer outro presidente que assumir nos próximos dez ou quinze anos. Poderemos amenizá-los. É isso que ele tenta fazer. O “imobilismo” que a imprensa acusa, na verdade, é algo bem relativo. Todo governo é, sob esse ponto de vista, “imóvel”. Só por não anunciar suas medidas pela mesma imprensa....
Jet
- Sim, ouvi bastante Jet na Europa. Está em ebulição, assim como Franz Ferdinand. As coletâneas mais vendidas são as do Guns e do REM. Evanescence continua nas paradas. Vi CDs dos Tribalistas e da Maria Rita em algumas lojas. Achei Jet um bom rock, bem básico, mas me surpreendeu a forte influência do The Who nas músicas, como eu acho o Stripes influenciado pelo Led.

Topten das músicas mais ouvidas na viagem

10. John Mayer, “No Such Thing”. A faixa que abre o primeiro disco do John Mayer, “Room from squares”, é empolgante e ótima para ouvir em caminhadas.

9. Coldplay – “Yellow”. Para momentos mais reflexivos, talvez deitado em praças, parques ou qualquer lugar onde bate sol; linda, mas totalmente “cool”.

8. Elis Regina, “Como nossos pais”. Brasil, Brasil, Brasil. Uma das melhores letras de todos os tempos, revelando aquele sentimento que vamos acumulando com o tempo, nossa rebeldia se apagando e a gente comprando fio dental.

7. Radiohead, “Paranoid Android”. Trilha sonora perfeita para os museus, pela sua excentricidade e plasticidade. O único defeito é que compete com os quadros na sua atenção.

6. Oasis, “Songbird”. A primeira composição do Liam arrebenta: violãozinho básico, leveza e letra grudenta. Para ouvir muitas vezes caminhando nos parques londrinos.

5. The Strokes, “What ever happened”. Saía cantarolando essa e as outras músicas do disco pelos parques e praças, como se nada estivesse acontecendo, às vezes até sem o disco tocar no discman. Alguns me achavam meio pirado. Que posso fazer? Fica na cabeça...

4. Massive Attack, “Group Four”. Também trilha sonora perfeita para museus. É uma música completa: vocais e backing vocals variados, uso de instrumentos comuns e eletrônicos, variação rítmica. Compete com os quadros.

3. The Beatles, “Hey Jude”. A minha balada n. 01, para lembrar da minha gata, da família, dos amigos, embalado no vocal de John e no inigualável (palavra exata) backing vocal dos besouros de Liverpool.

2. The White Stripes, “I just don’t know what to do with myself”. Quem diria que Jack White transformaria essa breguíssima canção (escrita, lá atrás, por B. Bacharach) em um rockão com corpo e sangue, guitarra afiada, peso, desespero nos vocais. Fiquei viciado.

1. The Verve, “One Day”. Saudades do Brasil, nossa pequenez nesse mundo, realizar o impossível, navegar nos meus sonhos. Eu, na Europa. “You've been swimming in the lonely sea - With no company”. Tudo condensado na saudade das pessoas e na melancolia da música, mas uma melancolia linda, como a que eu sentia – saudades do meu pessoal com a visão da Plaza Mayor, da Piazza Michelangelo, de Camden Town, Jordaan, no estádio San Siro, Piazza Navona ou Las Ramblas. Tanto faz, Verve era a síntese da minha viagem em qualquer lugar.
Encantamento
- Caminhar pelas ruas do Velho Mundo me fez ter de novo o encantamento pelas coisas do Brasil. Voltei a ter prazer em caminhar pelo nosso centrão, Borges de Medeiros, olhar camelôs, entrar em lojas de discos e CDs, livros usados e novos, pegar ônibus, etc.

Arte para admirar

Três Cristos Crucificados no Museu do Prado

Como meu espaço no Blig se esgotou (vc sabem como é!), e ainda não tive tempo de montar outro blog, cliquem no endereço a seguir e poderão ver os três quadros a que me refiro.

http://www.ctv.es/USERS/ags/00013_mm.htm

Velazquez – El Cristo de San Placido.

Notem o perfeccionismo de Velazquez, com seu estilo de luzes e a leveza, ainda que em uma atmosfera tenebrista. Sem entrar no estilo italiano, desenha com leveza as formas humanas e faz um jogo de cores todo próprio.

Francisco Zurbarán – Cristo Crucificado.

O meu favorito, pelo seu estilo terrível, quase gótico, uma imagem solitária e chocante de um Cristo duro, sofrido. A sensação em ver esse quadro é aterrorizante e espetacular. A sombra é perfeita. Zurbarán é o mestre do tenebrismo.

Francisco de Goya – Cristo Crucificado.

Cem anos depois de Velazquez e Zurbaran, Goya compôs outro Cristo em cenário preto, mas mais enfático e realista que os outros. Zurbarán pretendeu ressaltar a beleza terrível da crucificação; Velazquez, a corporalidade do momento divino. Goya, por sua vez, transformou seu quadro na dor e santidade de Cristo. Notem a expressão facial típica de dor para a elevação, sem falar da luz, que nitidamente ilumina de cima.


Trilha sonora do post: Suede, “The Drowners”.

enviada por -M-O-X-






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